Chega de Intolerância

Nota de Repúdio

A LBL – Liga Brasileira de Lésbicas repudia veementemente o crime de lesbofobia ocorrido em 15 de fevereiro de 2013 dentro do trem da CPTM, linha 9 – Esmeralda. Nesta data, duas mulheres lésbicas foram agredidas verbal e fisicamente quando uma delas sugeriu à outro passageiro que retirasse a mochila das costas e carregasse nas mãos. Entre socos no rosto, o agressor disse que ela tinha que ser tratada como homem. Apelaram à segurança da CPTM que não deu atenção alegando não ter condições de controlar 5 milhões de pessoas passando por seus terminais diariamente. Na delegacia, o delegado sugeriu a alteração do horário de trabalho, para não encontrar mais o sujeito. Medida de segurança, sem dúvida. Se não podemos contar com o Estado, vamos contar com quem? Com o Pastor Silas Malafaia? Não podemos mais admitir tais situações, tendo o Estado, no mínimo, como cúmplice. Sem falar na omissão, na negligência, no preconceito, na falta de respeito, na deseducação, no descaso geral com as mulheres. O dever do Estado é amparar, proteger e não praticar violência institucional. Não há política pública de segurança para a população LGBT. Não há campanhas educativas para se aprender e praticar a tolerância. Não há empenho em desconstruir o preconceito que permeia a sociedade que não entende nosso modo de ser. Não há treinamento e sensibilidade por parte dos agentes do Estado para nos tratarem com igualdade e sem discriminação. Somos relevantes como eleitoras e pagadoras de impostos, não como seres humanos que são ultrajados em seus direitos. Temos até lei, 10948/01, que prevê punições administrativas para pessoas físicas e jurídicas por atos de preconceito por orientação sexual. Mas quem pune o próprio Estado?

Exigimos do Estado tratamento digno e campanhas de enfrentamento à lesbo-homo-transfobia, violências de caráter estrutural e oriundas do patriarcado, inclusive tornando crime essas violências.

Prestamos toda a nossa solidariedade às vítimas que se veem tolhidas em sua autonomia e que ousam divergir da sexualidade normativa.

Buscamos a construção de uma sociedade mais justa e igualitária onde demonstrar amor por alguém do mesmo sexo não cause estranheza e desconforto a ponto de culminar em selvageria e violação dos Direitos Humanos.

 

São Paulo, 19 de fevereiro de 2013

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